Não é fácil mas torna-se simples. Temos de conciliar muitos factores:

  • desenvolvimento deles
  • espírito de férias
  • trabalho da mãe
  • limitações físicas por uma Benedita no forno
  • horários
  • tempo fofinho entre nós
  • aventuras inesquecíveis
  • ….

Além de todas as tarefas inerentes a uma casa de 3 crianças.

Agora a receita da nossa felicidade:

1- reunimos semanalmente para planearmos refeições, saídas e objetivos pessoais

2- criamos um quadro para cada fim

  • (refeições = porta do frigorífico //
  • saídas = porta da rua //
  • higiene e cuidados pessoais = casa de banho //
  • desenvolvimento pessoal = quarto de estudo)

Este quadro é feito por eles, cada um na medida da sua capacidade:

  • Tomás, desenha as riscas e os números dos dias
  • Constança, escreve os títulos
  • Francisca, escreve o conteúdo

(Assim… conciliamos planeamento, organização, objetivos, escrita, trabalho em equipa, democracia…)

3- todos os dias incluem um pouco de cada. Por exemplo:

  • Higiene = banho diário + máscara capilar 2 x por semana + fio dental 3 x por semana…
  • Saídas = parque // campo // lanchar fora // …
  • (Nesta fase, têm de ser coisas pouco audazes)

Assim, eles sabem sempre o que precisam de fazer.

Outro grande truque, é incluí-los em todas as ações da casa.

Por exemplo:

fazer o almoço = ler a ementa + ir buscar os ingredientes + ir buscar os utensílios necessários + preparar os alimentos + cozinhar + por a mesa + levantar a mesa + lavar a loiça + arrumar a cozinha + limpar o chão.

Tudo é feito em equipa e se um de nós está a trabalhar para todos… todos estão a trabalhar também.

Assim, há poucos tempos “mortos” que, regra feral, é onde surgem as asneiras.

Se mesmo assim houver alguma guerra entre eles, vão jogar ao jogo dos pares… meias soltas ???? têm de fazer pelo menos 10 conjuntos cada um. (Por exemplo).

Simples e eficaz.

Confesso que, por vezes, me sinto uma comandante das tropas. Tudo orientado e organizado. Mas quando abro a porta ao “logo se vê”… dá asneira!

Talvez pelo autismo (sei lá eu… não tenho o modelo “normal” da coisa) mas a verdade é que se não souberem exactamente o que vão fazer e quando, começa a dar asneira.

  • O Tomás rejeita tudo
  • A Constança fica irritável
  • A Francisca fica elétrica
  • Eu fico insuportável no meio de tanta neura

Assim, quebramos a espontaneidade (que era uma das coisas que mais amava na vida) mas temos uma família super dinâmica e harmoniosa.

Todos sabem o seu papel,

Todos contribuem e se sentem úteis

Tudo funciona

Tudo, claro, excepto os 3 sacos de roupa que tenho para colocar no topo do roupeiro mas não me aventuro a um escadote… tendo em conta que estou sozinha. Se houver um acidente, fica o equilíbrio estragado. Há que esperar pelo pai das crias.

Acima de tudo, ajuda percebermos que somos uma equipa e devemos funcionar como tal.

Não é fácil mas é exequível e todos merecemos o que uma equipa proporciona:

  • A força da equipa
  • O valor de cada indivíduo

O Tomás é o mais pequeno e mais imaturo (boys being boys) e mesmo assim sabe que consegue muita coisa difícil.

Não é fácil… até porque não há uma receita simples que possamos pegar e usar. Mas é perfeitamente exequível. Afinal, estou sozinha com 3 crianças + muito grávida + trabalho + vida própria e tenho tudo a acontecer.

Tenho todas as ações em dia? Não!

Mas acredito que se relaciona com a chegada de novos clientes. Se fosse o ritmo normal de trabalho, tudo estaria impecável. Tudo se consegue, só temos de perceber como.