Cada novo ano é como que uma nova embalagem de esperança, que abrimos com entusiasmo. Regra geral, fazemos promessas de ano novo, celebramos a passagem de ano… cumprimos o ritual para depois chegarmos ao final desse ano com tudo semelhante. Ok, calma, este artigo vai demonstrar a sua utilidade ao longo das próximas linhas, vê bem:

A mudança começa com a decisão.

Sabes aquelas decisões que estão tão firmes que ninguém consegue demover-te? Aquelas decisões que são tão óbvias que tudo é apenas execução? É isso mesmo! Há uma altura na tua vida em que simplesmente já não consegues aceitar o que não te realiza. Percebes que vales mais do que aquilo que tens e começas a sentir-te roubada quando tentam dar-te menos.

A grande dificuldade óbvia é essa tomada de decisão. É complicado virmos de um registo de satisfação e resignação e, de repente, começarmos a ver o nosso brilho e a nossa luz. A boa notícia que posso dar-te, é que não é de um momento para o outro. Ou, pelo menos, não tem de ser assim. Na verdade, a forma mais fácil de começares a tua consciência de valor pessoal, é começares a questionar tudo aquilo que recebes.

Será que isto é tudo o que mereço? Será que conseguiria melhor?

(claro que convém ter a capacidade de uma análise racional, tanto para aumentar a nossa exigência, como também para conseguirmos sentir gratidão pelo que recebemos).

O mais complicado, é mesmo este equilíbrio. Vejo muitas guerras entre casais, por exemplo, apenas porque a comunicação de ambos é diferente. Lembro-me me particular de um caso, em que fui contratada para preparar a rotina de separação. A mulher dizia que o marido só se preocupava com o trabalho e o marido dizia que só se preocupava com a família. Depois de conciliadas as versões, o marido estava a trabalhar cerca de 14 horas por dia, para poder dar qualidade de vida à sua família. E a mulher só queria que o marido estivesse presente para uma noite de jogos em família.

Neste caso, os dois tinham o mesmo valor, mas interpretações diferentes. Depois de conciliadas, reforçaram a sua relação e já não houve separação. Aqui, não era uma questão de exigir o que se merecia mas sim de interpretar a comunicação.

Como saber se tenho razão?

Esta é provavelmente a grande questão da vida! Existem algumas ferramentas que nos ajudam a evitar erros de julgamento.

Não compensa declarar guerra para se ganhar uma batalha.

Uma das grandes origens das discussões é esquecermos que nem sempre “ter razão” nos dá o direito de começar uma guerra. Eu posso ter razão sobre um assunto mas se ele é um mero detalhe no meio de tantos outros aspectos mais importantes, provavelmente compensa mais continuar a conversa. Para quê começar uma guerra, só para a podermos ganhar?

Será que queremos mesmo ganhar guerras ou viver em paz?

Cada um faz o melhor que sabe.

Exceptuando os óbvios distúrbios psiquiátricos, ninguém acorda a pensar “hmmm, que dia maravilhoso para estar a chatear ou prejudicar alguém!”. Na verdade, o que acontece é que tentamos fazer o nosso melhor, podemos é explodir de raiva, ignorar as necessidades alheias com a preocupação de sobrevivermos ou magoar sem sequer nos apercebermos.

Quando o fazemos, nem sempre temos consciência e, por isso mesmo, temos de nos lembrar das nossas imperfeições:

  • antes de agir
  • quando outros nos magoam

Antes de agir, para podermos validar conscientemente o que vamos fazer. Quando outros nos magoam para podermos avaliar de forma mais equilibrada e justa. É fácil reparar na nossa dor e julgar de forma “objetiva”, esquecendo que podemos ter provocado semelhante.

Se tivermos consciência destes factos, provavelmente vamos tornar-nos mais atentos a nós e ao nosso desenvolvimento pessoal e não tanto às falhas alheias. Da mesma forma, vamos tornar as nossas relações mais leves, com menos dor.

Lá por ser o teu melhor, não tem de ser para mim.

O que queremos é tornar as relações mais simples e harmoniosas, mas não necessariamente mantê-las na nossa vida.

Lá por reconhecermos o limite da outra pessoa, não faz com que tenhamos de o aceitar. Respeitar? Sim. Aceitar? Não. E é aqui que a magia acontece! Repara o que acabou de acontecer:

Eu ouço-te para conhecer a tua perspectiva. Eu percebo as tuas razões. Eu aceito que não preciso de demonstrar a minha razão. Eu assumo que estás a fazer o teu melhor e eu determino que não me é suficiente. Boom. Fechei a porta!

E de forma simples, recuperas o controlo sobre aquilo que te acontece, deixando de fora quem te proporciona momentos desagradáveis. Naturalmente, ação gera reação e a nossa ação de fazer triagem às presenças na nossa vida, tem como reação óbvia uma maior qualidade. Tanto qualidade de relações como qualidade de vida.

Eu demorei cerca de 20 anos a perceber isto mas valeu a espera. Espero que encontres a tua personalidade “limpa” de pressões e a comuniques determinadamente.