Olá Mãe!

 Primeiro que tudo: não existe essa coisa do “sem birra”.

Mal será termos uma criança que nunca faz birra.

 As crianças têm de se expressar, de testar os limites e de manifestar a sua vontade da melhor forma que sabem. Claro que não queremos birras e, muito menos, alimentá-las mas, ter uma criança a fazer birra de vez em quando é normal e saudável. Então, o que vamos ver hoje é:

 

Como responder a uma birra?

Primeiro que tudo: uma birra é uma comunicação numa linguagem própria. Não vamos criticar um neozelandês por não saber português, certo? Mas podemos ensinar-lhe outra língua. Caramba… várias línguas. E as crianças aprendem qualquer língua que lhes ensinemos. Se gritarmos, aprendem a gritar. Se falarmos com tom calmo, aprendem com tom calmo também. E é isso mesmo! Mas também, tal como uma birra,

 

  

Ensinar a evitar birras pode demorar

Quer dizer, demora! Demora meses e com algumas crianças, demora anos! (E por vezes não chegam a aprender e são adultos birrentos, certo?). Evitar uma birra é, na verdade, ensinar a gerir uma emoção e por isso mesmo temos de perceber,

qual é a emoção por trás da birra?

Existem diferentes gatilhos que conduzem à explosão e sabermos qual é a causa e respondermos a ela permite-nos ajudar a acalmar, gerir e responder eficazmente à emoção.

Vamos deitar?

Uma birra comum é a da hora do deitar. A cria pequena fica doida por ter de descansar, apesar de já se arrastar nas brincadeiras. Mal lhe falas em dormir!? Volta a ficar com a pilha carregada e vem daí a guerra.

O dia foi bom, fez coisas divertidas e tem uma enorme sede de aprender e fazer mais. Ainda não controla rotinas ou o tempo por isso “ir dormir” significa “acabou a diversão”.

Antes de reagir à birra, podemos tentar evitá-la: Amanhã de manhã vamos fazer ____ e vai ser giro porque ____. Para isso, temos de dormir quando ____.

Se motivarmos a cria a desejar o descanso e lhe dermos uma forma de se preparar, vai estar mais receptiva. Algo que mudou a nossa rotina foi contarmos juntos de 10 a 0. Bem devagar e num momento de colo, vamos trocando beijinhos, miminhos até chegarmos ao zero. Depois disso… vamos de mão dada deitar.

Claro que no início deu guerra. Mas se não permitires mais brincadeira, mais festa… eles acabam por relaxar e ceder. Ter filhos dá um trabalhão tremendo e confesso que deixei a louça do jantar em cima da mesa várias vezes… mas não abdiquei deste momento. Houve noites em que o colo durou 40 min porque chorava, reclamava… e eu recomeçava: ok, precisas de mais colo, vamos lá carregar essa bateria 10, 9… Até que “já estás pronto?” “Sim…”

Braço de ferro

Há sempre que perceber se estamos a dar uma instrução por valores familiares ou por birra nossa. A ideia é fazer crescer um adulto saudável… e não ganhar a guerra. Por outro lado, se estamos a defender saúde, felicidade, autonomia, auto-estima ou outro valor importante… há que ser firme. Eles não ganham quando cedemos. Eles ganham quando defendemos os seus interesses. Faz-te sentido?