Falam-nos sobre autoconfiança e parece ser a cura para todos os males do mundo e promovem a aceitação como a descoberta do século. Mas será que é mesmo assim? Quer dizer, claro que devemos ter confiança em nós mesmas e aceitar aquilo que somos, mas há um truque ignorado que vou partilhar contigo agora.

 

O que é a aceitação e como é útil para a autoconfiança?

Se pesquisares na maioria dos blogs e aulas sobre autoconfiança, a aceitação é promovida como a decisão de vivermos em harmonia com a nossa realidade. És agora incentivada a apreciar aquelas “vergonhas” que nos disseram que eram perigosas para sermos aceites ou amadas. Mas, se queremos maior autoconfiança, temos de mudar algo.

Mas será que é o melhor para nós? Parece-me que há aqui a corrupção de algo importante: o desenvolvimento pessoal. Ele tem sido grandemente prejudicado por este movimento de aceitação.

Focamo-nos de tal forma na “aceitação” que consideramos que “aceitar as nossas vergonhas” passa a ser a derradeira prova de que somos fortes, sólidas e super desenvolvidas.

Mas será que é realmente este o limite? Passamos da aceitação do eu para a aceitação da realidade envolvente e passamos assim a ser umas desportistas do sorriso e aceno. Parece-me que esta “aceitação” está a ser desvirtuada como se de um jogo do telefone estragado se tratasse.

Queremos aceitar o que somos, sim. No sentido de sentirmos paz com a nossa realidade como ponto de partida.

A aceitação como início e não destino

Na verdade, a aceitação não se refere ao sinónimo de passividade ou resignação mas sim de amor incondicional. Aceito plenamente o que sou neste momento e trabalho para ser melhor. Não porque preciso de o ser mas porque quero sê-lo. Aceito-me como estou mas quero mais para mim. 

E assim, num movimento de crescimento constante e sereno, avançamos rumo à vida que decidimos ser o melhor para nós. Este é o verdadeiro desenvolvimento pessoal: crescimento das nossas competências, crescimento das nossas forças e serenidade com as nossas fraquezas temporárias.

Aceitação como escolha consciente

 

Eu não tenho de aceitar os meus limites para me sentir em paz, eu tenho de decidir o que quero fazer com eles. Por exemplo: neste momento, eu sou uma péssima desportista. (facto!) Das duas uma: ou lamento este facto e me sinto mal comigo mesma por causa disso, ou aceito o facto. E terminamos aqui? Claro que não! Se eu decidir aceitar o facto, significa apenas que quero viver em paz com aquilo que existe na minha realidade pessoal neste momento. De maneira nenhuma significa que tenho de me resignar a este limite. Posso decidir treinar para me tornar melhor. Não se trata de ser “a melhor”, trata-se de ser melhor do que sou hoje. Comparando apenas comigo e avaliando apenas o meu desempenho com os meus dados pessoais. Se eu decidir não fazer nada, então preciso aceitar dois factos e não apenas um:

 

eu aceito ter um limite e eu aceito o facto de decidir não agir sobre esse limite

 

 

É difícil sermos responsáveis pela nossa vida. Quer dizer, não é difícil mas é exigente. No início, parece que estamos a falhar duas vezes: eu sei que não sou boa em algo e decido viver assim mesmo? É melhor culpar a escoliose, a falta de tempo ou a falta de dinheiro para um ginásio. A nossa autoconfiança merece mais, certo? Mas são desculpas e a prova viva disso é cada um dos desportistas que treina à chuva, em parques públicos, dormem menos para conseguirem mais tempo e treinam mesmo com problemas físicos – alguns deles severos.

 

Então, a aceitação não nos iliba da responsabilidade.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

View this post on Instagram

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A aceitação não nos iliba da responsabilidade. Antes pelo contrário! Convida-nos a assumirmos as nossas escolhas, de forma consciente e confiante. Até porque, não se trata de abandonar uma fraqueza ou escolher ter um limite… Vê mais em catarinaloucada.pt Segue a página: fb/catarinaloucada #aceitação #responsabilidade

 

 

 

A post shared by Catarina Louçada (@catarina_loucada) on

 

 

 

 

 

 

 

 

Antes pelo contrário! Convida-nos a assumirmos as nossas escolhas, de forma consciente e confiante. Até porque, não se trata de abandonar uma fraqueza ou escolher ter um limite. Pode ser uma escolha estratégica: se eu sei que aquela fraqueza não me motiva, eu sei que vai ser um dispêndio de energia com pouco retorno emocional.

 

Eu poderia tornar-me super boa desportista e mesmo assim não ficar mais feliz por isso!

 

Então, aceito que esta área não é a minha área forte, aceito que é uma escolha consciente e aceito que decidi investir o meu tempo em algo que me traz maior rentabilidade. E, de repente, eu deixo a minha atitude passiva de aceitação e passo a sentir-me mais forte e mais livre, porque fui eu quem escolhi o que conquistar!

 

Não porque era difícil e não era a minha área forte, mas porque eu tinha uma área mais interessante e estimulante e decidi investir nela. Porque eu escolho o meu caminho, porque eu escolho as minhas conquistas. E aceito esse facto!

 

 

Esta sim, é a aceitação que devia andar a ser promovida! Aceita as tuas escolhas, desde que sejam conscientes e fundamentadas pela ambição de crescimento pessoal e não de receio de falhar.

 

De onde estás, com o que tens, para onde queres.