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Olá mãe, com que então a ficar doida com tanto ciúme entre os manos, certo?

Percebo-te bem! Quando a Francisca nasceu, passamos do “yeah, estou tão feliz por este bebé novo!” para o “Wow, mas é suposto ela ficar!?” e depois para o “ok, já teve piada… agora manda-a embora!” em menos de nada! As asneiras, os dramas e mesmo alguns ataques pouco simpáticos à nova cria da família… ui… eu estava a dar em doida!

Vamos ver como dar a volta a isto?

Há quem recomende o reforço positivo, quadros de comportamento e mais umas coisas parecidas e é claro que tudo faz muito sentido mas não resolve.Repara que na base de tudo isto estão emoções: o medo de perder a mamã, o medo de perder os cuidados que tinha e o medo de perder o amor que recebia.

Eu sei que tu consegues amar os dois (ou os dez!) assim como tu sabes que os consegues amar mas (e há sempre um mas…) a verdade é que o ciumento até tem razão, sabes!?

O teu tempo não esticou, a tua energia não duplicou e a tua paciência também não. Só mesmo o teu amor e isso ele ainda não consegue perceber.

Ou seja: da ótica de uma criança que ainda está a aprender como é que esta coisa de viver funciona… a sua sobrevivência pode estar em risco.

Claro que não devemos dizer “coitadinha… está cheia de medo… deixemo-la partir a sala toda e esbofetear o irmão” mas… convém que nos recordemos da origem do problema para o conseguirmos resolver mais eficazmente.

Os quadros de recompensa não vão ser grande ajuda aqui porque a tua cria ciumenta não está com um objetivo concreto e dificilmente o prémio a receber pelo bom comportamento vai comparar-se à horrenda perda da mãe (ou do pai, claro!).

Da mesma forma, o reforço positivo também não vai causar grande impacto porque é a mesma coisa que tentar encher um funil, sem tapar o fundo! Temos mesmo é de resolver o buraco de tempo, disponibilidade mental, atenção e até carinho que a cria nova arranjou na tua agenda.

E quando digo “buraco de carinho” refiro-me ao natural cansaço que deves sentir por teres neste momento mais uma vida a depender de ti… em todos os aspectos.

Pedir ajuda é essencial! Mas assim daquelas coisas que fazem a diferença da noite para o dia. Pedir ajuda é a bóia de salvação de qualquer mamã feliz. Mas, quando não há essa ajuda, temos de nos virar do avesso, certo?

 

Queres uma boa notícia para evitares o ciúme?

É que resolver o ciúme é quase tão simples como evitar! Ou seja: independentemente da fase em que te encontras (a preparar-te para a batalha ou já no meio do campo de guerra), esta receita vai ajudar-te!

Como criar ligação?

(ou “como renovar a ligação existente”) Eles são nossos filhos e por causa disso estamos ligados, certo? Errado. Quer dizer, para nós, sim… mas para eles a coisa não é assim tão óbvia. Os miúdos precisam de muita renovação dos laços estabelecidos. Repara que para eles, tudo é novo. Tudo recomeça a um ritmo alucinante e tu és a base, o apoio e o porto seguro da tua cria.

Mesmo que a vossa ligação seja muito forte, é importante recordares que é essencial renovar e recomeçar diariamente. Aliás… a cada instante.

Como o podes fazer?

Mais simples do que parece: por vezes, uma simples frase dita olhos nos olhos, com o tom de voz certo, faz a diferença! “eu estou a ver-te!”, “tive saudades tuas”, “mal posso esperar para ir brincar contigo”, são alguns exemplos que transmitem à criança que a ligação se mantém e que a sua posição no pódio da atenção está segura.

E, sim, independentemente da idade. Não existe aquela coisa do “ser demasiado crescido para”!

Como permitir a infância?

“Ai… tão grande e ainda usa chucha!?” Quantas vezes já ouviste esta frase? Muitas! E quantas vezes já ouviste esta frase sobre um adolescente a entrar para a faculdade? Nenhuma, certo?

Então, para quê stressar?

“Ainda usa fralda!? Ai, já devia ter deixado… é muito tarde!” Lá está… mesma questão! Embora eu admire bastante os pais cujos bebés poderiam ser usados como campanha pró-natalidade porque em tudo são perfeitos e fáceis… tenho 3 crianças perfeitamente normais e não as trocava por nada.

Com 3 anos, a Constança decidiu que afinal a chucha era uma excelente ideia, depois de ver o irmão com uma. Vamos esclarecer que a Constança NUNCA pegou numa porcaria de uma chucha e bem jeito me tinha dado porque a criatura só estava bem ao colo ou a chorar. Mas com 3 anos… não… claro que não… com 3 anos é que deve usar chucha. Resultado? Deixei. Ofereci-lhe um prendedor de chucha do irmão (que ela escolheu), ofereci-lhe uma chucha do irmão (que ela escolheu) e ela andou com aquilo na boca, toda feliz… durante 3 dias.

Falava comigo e eu não percebia (claro que percebia, mas dizia que não!) e ela lá tirava a chucha e eu explicava “sabes, a chucha é para os bebés acalmarem, porque ainda não sabem falar…” e ela falava e voltava a pôr. “estás tão gira de chucha, fofinha, vamos tirar uma fotografia?” e ela toda feliz… até que se fartou de andar com aquela treta atrás, sempre a tocar no chão e a impedi-la de tagarelar.

Quero com isto dizer-te que: eles têm o seu ritmo e se não estão a pôr saúde em causa, para quê stressar?

Muitos pais argumentam que prejudica a fala, o palato e mais um par de botas. Eu até acredito que sim… a questão é: acabou de lhe cair ao colo um irmão de pára-quedas. Um brinquedo giro que afinal é para ficar e arrumar com metade dos seus direitos… e vamos exigir-lhe que seja muito crescida?

Repara: até os adultos fazem figuras tristes a discutirem heranças, quanto mais uma criança a discutir a chucha!?

Deixa a tua cria perceber que não precisa de ser bebé para continuar a ser especial. Sem chantagens, sem dramas… simplesmente perceber que há coisas que ela já pode fazer e por isso já não precisa do que o irmão tem. Voltou a gatinhar? Ok… ajuda-a a recordar como era bom andar, como era bom estar a ser cada vez mais crescida. Leva-a ao parque, por exemplo…

Permite-lhe escolher e ajuda-a a querer mais.